Trabalhadores da Lusa acusam Governo de confundir denúncia do Acordo de Empresa com negociação

Trabalhadores da Lusa acusam Governo de confundir denúncia do Acordo de Empresa com negociação

"A resposta transmitida pelo Governo hoje a uma pergunta institucional do Bloco de Esquerda (BE) sobre o AE da agência Lusa não corresponde à verdade", acusam os representantes dos trabalhadores da Lusa, com o ministro Leitão Amaro a apontar um "entendimento comum de que a renegociação do Acordo de Empresa é também boa para os trabalhadores".

Lusa /
Foto: Tiago Petinga - Lusa

Os órgãos representativos dos trabalhadores da Lusa acusaram hoje o Governo de confundir a negociação do Acordo de Empresa (AE) da agência de notícias com a sua denúncia, garantindo que o executivo nunca os informou desta intenção.

"Uma coisa é renegociar, outra coisa é denunciar o AE", sustentam, recordando que "os trabalhadores reunidos em plenário exigiram a mudança de posição do CA [Conselho de Administração], em ato de boa fé, para que seja retirada a denúncia do AE para o reestabelecimento de alguma paz social abrindo o caminho para uma negociação que deve ser séria e responsável".

Em comunicado, os sindicatos dos Jornalistas (SJ), dos Trabalhadores do Setor de Serviços (Sitese) e dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas (Site CSRA) e a Comissão de Trabalhadores (CT) da agência garantem que, "em nenhum momento dos encontros institucionais entre os órgãos representativos dos trabalhadores (ORT) da Lusa, o Governo referiu a vontade de denunciar o AE".

Esclarecem que, desde setembro de 2025 o Governo, através do ministro da Presidência, António Leitão Amaro, "abordou questões relacionadas com que o chegou a classificar publicamente como `processo de transformação da Lusa para melhor`, propondo novos estatutos, supostas sinergias com a RTP e um futuro processo de rescisões amigáveis", mas sem nunca referir a intenção de denuciar o AE.

"O AE foi denunciado formalmente em reunião com os sindicatos e comunicado à Comissão de Trabalhadores no passado dia 28 de maio, situação contestada pelos ORT e pelos trabalhadores em plenário realizado na agência Lusa, no dia 2 de junho", dizem.

"A resposta transmitida pelo Governo hoje a uma pergunta institucional do Bloco de Esquerda (BE) sobre o AE da agência Lusa não corresponde à verdade, demonstrando falta de objetividade e entendimento sobre as posições dos profissionais", acrescentam.

A pergunta parlamentar colocada a Leitão Amaro pelo deputado único do BE, Fabian Figueiredo, procurava saber se o ministro tinha tido conhecimento prévio da decisão da administração da Lusa de denunciar o atual AE e que orientações foram dadas pelo acionista Estado relativamente à negociação coletiva na agência.

Em resposta, o Governo afirmou que "estava informado sobre a intenção do Conselho de Administração da Lusa em prosseguir com negociações com representantes dos trabalhadores, com vista à valorização das respetivas condições, e que envolveria também a revisão" do AE.

O executivo referiu "que a renegociação do Acordo de Empresa tinha já sido defendida por sindicatos e Comissão de Trabalhadores em reunião com o ministro da Presidência" e que "foi informado da posição que entendeu partilhada por Conselho de Administração e representantes de trabalhadores de que a revisão do acordo de empresa é necessária para um melhor e mais sustentável futuro das condições de trabalho e da empresa".

"O Governo registou o entendimento comum de que a renegociação do Acordo de Empresa é também boa para os trabalhadores", apontou o gabinete do ministro na resposta ao parlamento.

Os sindicatos presentes na Lusa e a Comissão de Trabalhadores da agência salientam, contudo, que "o Governo entendeu mal", lamentando, mais uma vez, "a forma pouco adequada e irresponsável como o Governo, e neste caso, o Conselho de Administração da Lusa, têm lidado com assuntos de capital importância para o futuro da única agência de notícias de Portugal, obrigada a cumprir o serviço público de notícias".

Além de questionar o Governo sobre se teve conhecimento prévio da decisão da administração da Lusa de denunciar o atual AE, o BE perguntou também ao Governo se considerava aceitável que os aumentos salariais fossem condicionados à assinatura de um novo acordo coletivo, que orientações tinham sido dadas pelo Estado enquanto acionista e que garantias existiam de que as negociações decorreriam sem pressão sobre os trabalhadores.

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